Na noite da última quarta-feira, por volta das 4h no horário de Brasília, os habitantes do norte da Noruega avistaram um estranho movimento nos céus. Moradores das cidades de Trøndelag e Finnmark, separadas por mais de 1.200 Km, relataram o aparecimento de uma espiral luminosa que surgia por trás de uma montanha. Segundo os depoimentos, em pouco tempo o fenômeno já havia coberto o céu. Em seguida, uma luz azul-esverdeada saiu do centro da espiral que demorou em torno de dez minutos para desaparecer completamente.
Rapidamente o serviço de meteorologia norueguês foi inundado por ligações de moradores assustados e curiosos sobre a origem do fenômeno. Muitas teorias surgiram, a primeira delas é de que se tratava de uma aurora boreal, um fenômeno óptico comum na região e que tem como característica o aparecimento de luzes esverdeadas nos céu. Esta teoria, porém, foi descartada por astrônomos do Controle Aéreo de Tromsø. Restaram então duas correntes: a que dizia se tratar de um fenômeno extraterrestre e a que acreditava no lançamento mal sucedido de um míssil.
Em entrevista à imprensa norueguesa, o pesquisador do Observatório Geofísico de Tromso Truls, Lynne Hansen, disse ter certeza de que a luz foi causada por um lançamento de míssil – que, provavelmente, teria perdido o controle e explodido. Entretanto, o porta-voz da Defesa Norueguesa, Jon Espen Lien, teria dito que os militares do país não sabiam do que se tratava, mas que era provavelmente um míssil russo. Procurada pela impressa local, a Rússia afirmou não ter feito nenhum teste de mísseis na região.
A causa do fenômeno
Nem extraterrestres nem aurora boreal, acertaram os que apostaram na hipótese do míssil. Ainda na tarde de quarta-feira, uma fonte no exército russo afirmou que a luz veio de um míssil com problemas no lançamento. O objeto teria sido lançado do submarino “Dmitry Donskoy”, atualmente o maior do mundo, e que apresentou sucessivos problemas no lançamento de mísseis Bulava, uma versão no míssil terrestre comum, mas com potencial intercontinental. A arma, míssil balístico da nova geração: pesa 37 toneladas e tem 12 metros de altura, podendo levar seis ogivas nucleares a uma distância de oito mil quilômetros. Há fontes que referem a capacidade de dez ogivas.
A falha teria sido escondida por conta da polêmica do escudo americano antimísseis que bloquearia justamente ataques ou testes vindos do leste europeu e de nações como o Irã e a Coréia do Norte, classificados pelos EUA como “Estados irresponsáveis”.
O que provocou o fenômeno, na verdade, foi uma falha no estágio três de lançamento do projétil que teria tido problemas no mecanismo de manobra (provavelmente alguma peça emperrada) que causou o movimento giratório. A espiral de luz é explicada também pelo horário: as partículas do míssil foram iluminadas pelos raios solares, o que causou o extraordinário efeito.
Este foi o 13º teste do sofisticado míssil balístico Bulava e foi também seu 9º fracasso. A Rússia tem investido milhões de euros no desenvolvimento da nova arma, mas não tem obtido sucesso. O desenvolvimento desta arma é sido criticado entre analistas militares devido ao custo.
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