CEI-COC

Ensino Médio

04.09.2009

Psicologia:

Aprender sobre si mesmo

Quem nunca ouviu os pais dizendo: “Se você não mudar, vou levá-lo a um psicólogo!”? Em meio aos conflitos familiares típicos da adolescência e na ânsia de resolvê-los, muitos pais vêem esse profissional como alguém capaz de descobrir e analisar as angústias dos filhos, bem como de desvendar seus segredos e sua intimidade. O psicólogo torna-se, dessa forma, uma figura punitiva — “mais um adulto querendo me investigar para ditar as regras para meu comportamento”. 

Mas, longe de ser um modo de convencer os adolescentes a se adequarem às regras sociais e familiares, a Psicologia é uma ciência capaz de auxiliar em inúmeros conflitos e angústias presentes nessa fase. Então, do que se trata realmente essa ciência? Para compreendê-la, precisamos pensar, primeiramente, em como nós funcionamos internamente.

Sabemos que o processo de aprendizagem humana é relativamente lento se comparado ao de outros animais. O bebê necessita da ajuda da mãe para poder se alimentar, caminhar, realizar tarefas, enfim, precisa que outras pessoas garantam sua sobrevivência por um longo período, até que seja capaz de lidar com o mundo de forma independente.

A aprendizagem e o amadurecimento ocorrem a partir do que os adultos são capazes de mostrar, ensinar e, principalmente, do que eles esperam e desejam. Por causa da necessidade de sobrevivência e de ser amado e admirado, o bebê está sujeito, desde seu nascimento, a valores e experiências de vida de seus pais.  Com o passar do tempo, vão se juntando a estas outros elementos que a criança aprende no decorrer de seu desenvolvimento. Mas todas essas memórias não são esquecidas ou jogadas fora; ao contrário, são armazenadas em nossa mente, a qual funciona como um baú cheio de referências antigas, que podem ser despertadas e utilizadas conforme a necessidade.

Quando chegamos à adolescência, as exigências do mundo — sejam elas profissionais, amorosas ou existenciais — tornam-se naturalmente maiores e mais intensas e, para atendê-las, usamos todas as experiências guardadas. Mas, nem sempre os mecanismos que aprendemos quando somos pequenos funcionam na puberdade e na fase adulta. Sem nos darmos conta, ficamos presos a comportamentos infantis que não nos ajudam a lidar com a realidade e, por não sermos mais crianças, sentimos necessidade de nos descobrir mais a fundo e de saber como podemos enfrentar esse mundo recheado de cobranças.

É nesse momento que entra em cena a figura do psicólogo, que, em vez de ser aquela “mulher-maravilha”, capaz de desvendar os segredos guardados a sete-chaves, ou o “super-homem”, tão poderoso que chega a descobrir nossa loucura e nos trancafiar eternamente em uma pequena cela (como retratam os filmes), é apenas um cientista que possui um conhecimento a respeito das tantas dificuldades que todos carregamos em algum momento da vida.

Esse profissional pode ser um ótimo companheiro para quem deseja se conhecer melhor e mais profundamente, saber do que gosta, o que espera do mundo, das outras pessoas e de si mesmo, perguntas que nos fazemos constantemente, mas cujas respostas os sentimentos que carregamos nos impedem de  encontrar. Como um médico é capaz de escutar as batidas do coração, o psicólogo pode ouvir o que existe em nossa alma, dando-nos a oportunidade de fazer descobertas fantásticas sobre o que há de mais precioso, ou seja, a nossa própria existência.

Paula Dely
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